Crescimento de homicídios em Goiânia: aonde vamos parar?10 de Março de 2010 |
Opinião, Jesseir Coelho de Alcântara
Em 2008 a Capital registrou 443 assassinatos e no ano pretérito houve um número de 355. Considerando a proporção de mortes até a presente data parece que infelizmente este ano o recorde vai ser superado. Esses números chocam a sociedade goianiense e preocupam as autoridades. O ano começo violento. Segundo a polícia judiciária, as causas do elevado número de assassinatos neste início de ano são questões complexas que vão além do alcance da polícia civil. As drogas são responsáveis pelo aumento, principalmente o crack. No período de dez anos, entre 2000 e 2010, foram registrados em Goiânia 3.067 homicídios. Destes, são estimados que 1.730 tiveram ligação com o tráfico de entorpecentes. A maioria dos delitos tem semelhança: as vítimas possuem antecedentes criminais, usam drogas e são mortas por homens usando motocicletas, um veículo que facilita a fuga e que a obrigatoriedade do uso de capacete dificulta na identificação do criminoso. As chacinas têm tido um aumento vertiginoso, com execuções sumárias. Constata-se também o crescimento de policiais militares envolvidos em homicídios.
Lembro-me que quando assumi a titularidade da 13ª Vara Criminal da Comarca de Goiânia em 2000, específica para julgamento de crimes dolosos contra a vida, a cada dez processos, um era relacionado à morte envolvendo acerto de contas em tráfico de drogas. Hoje, sem medo de errar, posso afirmar que em dez feitos, seis têm esse relacionamento, com tendência a aumentar se não forem tomadas medidas enérgicas para o combate. Em outras palavras, mais da metade das mortes tem ligação com entorpecentes num índice de 60%. Triste e preocupante realidade.
Acredito que o povo goiano não quer ver no guinness book (o livro dos recordes) nossa Capital como a campeã mundial em número de homicídios. Acho que o cidadão goianiense de bem indaga com tristeza e lamúria no coração: aonde vamos parar?
A queda no índice de criminalidade somente pode acontecer se medidas sérias de combate forem tomas urgentemente. A Polícia Militar tem de fazer um trabalho preventivo com blitzen e batidas diuturnamente nas ruas, bares e pontos suspeitos de venda de drogas. A Polícia Civil necessita de apurações rápidas, fechando o inquérito policial. O Ministério Público carece de desempenhar bem o papel de fiscal da lei. O Poder Judiciário precisa julgar com rapidez, porque justiça tardia é injustiça. Os governantes têm de conceder todo aparato e materialidade para que as instituições trabalhem com afinco. A sociedade precisa também fazer sua parte ajudando através de suas associações, sindicatos, fundações, federações, etc. A população pode ajudar a esclarecer as mortes.
O número de pessoas que perderam a vida é extremamente preocupante. Mudanças se impõem sob pena de haver mais crescimento na quantidade de homicídios causando enorme expectativa. Afinal, segurança pública é dever do Estado.
Jesseir Coelho de Alcântara é juiz de Direito e professor |